TERRITÓRIOS DE INFÂNCIA – RELATOS DE FAMILIARES

“Passei parte da minha infância dentro do carro, em viagens longas e curtas. No radio a fitas tocavam Elis, Vinicius e Chico, o tempo passava rápido com as brigas e as brincadeiras.
As longas eram pra Paraíba, Bahia, Minas, as curtas pra casa dos meus avós em São Sebastião, onde eu e minhas irmãs, passávamos longas férias sem os pais, lá, a cidade era nosso quintal.
De todas as férias, algumas se destacam: Uma em que ficamos um mês acampados na praia de Toque-Toque Pequeno, em São Sebastião, totalmente sem infra estrutura. (A fotografia que mandei é deste acampamento).
Outra é de uma viagem a São João Nepomuceno, Minas, 10 horas de viagem, na Belina 7 crianças, 2 adultos, malas e um imenso saco de alho que ocupava metade do porta malas, onde nos acomodávamos e outro de pirulito, que melecava nossas mãos e cabelos. Mais uma viagem sem os pais, uma fotografia deles e o telefone amenizavam a saudade dos 30 dias de distância. (Eu tinha 4 anos!)
Mas o território da minha infância foi a piscina do clube, onde passamos intermináveis fins de semana e o grande quintal da casa onde cresci.
Enquanto meu pai trabalhava e minha mãe se ocupava com a confecção de roupas em um dos quartos da casa, nós, eu,  minhas duas irmãs, os 3 jabutis, as codornas, a galinha, o galo e alguns pintinhos, o tatu, os coelhos e todos os muitos filhotes, os porquinhos-da-índia e algumas dezena de filhotes,  os cachorros e seus filhotes, os passarinhos num grande  viveiro, os hamsters na gaiola e os peixes no aquário, brincávamos.  Ao fundo o barulho de máquina de lavar roupa se misturava com o da panela de pressão. Hoje, sei que todos estes animais não moraram simultaneamente no nosso quintal, mas prefiro pensar que sim.
No quintal também tinha piscina de lona, banho de mangueira, bicicleta, argila, gesso e pintura. Bagunça, terra e sujeira. Brigas, broncas e muita, muita liberdade.” – Janaína Stropp

“Vivendo no interior eu tinha uma relação direta com a rua, onde a liberdade era permeada por doses de perigo e segurança…mas eu sempre soube a hora de parar…precisava voltar inteiro pra casa, afinal tinha isso todos os dias….então queria o dia seguinte…era muita bicicleta, futebol, chupar cana e entrar nas construções…. Em casa tinha o desenho e os bonecos…depois os aviões… Eu sempre viajei com poucas coisas, então a palavra era CRIATIVIDADE! Desde sempre eu me via produzindo e montando alguma coisa… Meu padrinho Ernesto, um polaco doce e beberrão foi muito presente…passava muitas tardes com ele e foi alguém que instigou minha criatividade, sempre me desafiava a manufaturar algum objeto, um brinquedo…e motivava a quebra de padrões, trocando os guidons das bikes e usando a madeira no lugar dos utensílios da moda que muitas vezes eu não podia comprar…tudo isso nos fundos de uma padaria, onde o forno era nosso submarino…e os diversos cheiros eram minha referência de horário, de quantidade, de limite e poder… Me tornei músico e prezo a criatividade diariamente! E sei que a escolha pela composição e improvisação começou nos fundos daquela padaria, onde uma lata e alguns filetes de Madeira preenchiam todos os buracos do meu coração…” – Aquiles Faneco

“Tive a sorte de acampar com meus pais e meus irmãos desde bem pequena… íamos para um camping em Caraguatatuba e passávamos as férias de janeiro todinhas lá…
Era um acampamento mesmo, com as barracas pra dormir, fogão pequeno, mini geladeira, mesinha de camping, cobertura de lona…
Era nossa casa por quase 1 mês de férias, mas tinha cara de casa de brinquedo, tudo era muito diferente da rotina e muito lúdico!
Quando chovia, tínhamos que correr pra ajudar a fazer umas “canaletas” em volta das barracas, pra chuva escorrer por ali… e era a maior festa, todo mundo se molhando pra fazer isso e ajudando os outros!
E dormir com aquele barulho de chuva na lona da barraca era muito gostoso…
Nos finais de ano, fazíamos uma grande ceia de ano novo e à meia-noite íamos para a praia, que ficava do outro lado da rua, pra ver os fogos…
Foi assim por uns 20 anos!
E foi uma das experiências mais marcantes e maravilhosas que vivemos em família! Lá conhecemos amigos pra vida toda, aprendemos a conviver, dividir e ajudar uns aos outros, tanto entre nossa família, como com os amigos que acampavam perto da gente…
Era tudo simples, mas de uma riqueza imensa!” – Juliana Enge

“Minha mãe fazia um bolo de chocolate chamado Chifon. Se eu fechar os olhos, consigo sentir o sabor dele na minha boca! É diferente do bolo de chocolate comum. Tem gosto da minha infância! Ela também fazia uma rosquinha de nata, que eu adorava comer a massa ainda crua! Uma vez fizemos um boneco, assado, com essa massa pra eu levar pra escola, já que ela havia contado para a sala a história do boneco de gengibre…
Eu e meu irmão gostávamos de brincar no quintal de casa, que era totalmente de terra. A gente gostava de brincar com a cola, passar em um papel e jogar a terra por cima, igual fazemos com gliter. Mas na época, não tínhamos gliter. Meu pai fazia canteiros, muito bem organizados, de plantas e eu adorava passar a mão nas folhas das plantinhas! Lembro-me muito bem das folhinhas da cenoura – bem macias! -, das folhas da beterraba, da couve, da flor do quiabo, das folhas do pé de caju, do tronco torto e grosso do pé de limão.” – Rarena Rodarte

“O sentido da minha infância está relacionado às múltiplas experiências que tive a chance de desfrutar. A principal delas imagino que tenha sido viver um mês seguido na fazenda, durante alguns anos, junto com minha família, com minha avó paterna, minha bisavó, meu avô, tios, primos: passava as férias de julho sempre lá, e então vivia o ciclo da natureza: acordava com o sol, dormia com o sol. Aprendia sobre o chá de erva cidreira com minha avó, sobre os benefícios da babosa com a bisavó, observava a cozinheira fazendo doce de leite, ou minha avó fazendo queijo do leite que tinha acabado de chegar do curral. Passava medo com as histórias de terror contada pelos primos mais velhos. Jogava cartas, fazia castelinho com elas… “Trabalhava” espiando os peões contarem e vacinarem o gado, ou indo alimentar os porcos, as galinhas. Nadava no rio, chupava fruta arrancada direto do pé. Andava horas a cavalo com meus primos, conversando sobre os mais variados assuntos, desde questões de família até como inventar uma máquina do tempo….
À noite, sem televisão ou outra distração “moderna”, íamos explorar os arredores da casa no escuro de lanterna, ver os sapos na bica. Aliás, alguém sempre inventava de fazer chá só para ir lá no escuro, no meio do mato, buscar capim-santo. Inventávamos histórias, fazíamos teatro… Tempo livre de imaginar, de brincar. Coisas que enriquecem a infância e que, em lugares em que há entretenimento o tempo todo, como Disney, lugares com TVs, Ipads, parques de diversão etc., não se tem tempo de desfrutar.
Era um mês em que convivíamos intensamente: as crianças, os avós, os pais, os tios. Era o tempo mais rico do meu ano. Convivia com pessoas queridas, numa vida com ritmo, imersa na natureza. E, no fim do dia, sempre íamos lá para fora observar o céu coalhado de estrelas…. coisa que, de dentro da cidade, não se vê igual. Estrelas no céu, estrelas gravadas para sempre no coração.” – L.

“Minhas grandes lembranças de infância são do quintal da minha avó. Lá onde eu passava as férias com minhas primas e descobria o mundo no quintal. Lá onde as vassouras eram cavalos, as grandes e velhas janelas eram os caixas eletrônicos dos bancos de uma cidade construída… lá onde tudo era possível, um quintal cheio de coisas velhas onde tudo se transformava e a liberdade de brincar e criar rolava solta. O quintal de minha avó! ” –  Maíra Coutinho

ADAPTAÇÃO – A ENTRADA DA CRIANÇA NA ESCOLA

 A DECISÃO E A ESCOLHA DA ESCOLA       

A entrada da criança na escola é um momento marcante. Em primeiro lugar, é importante que a decisão de colocar a criança na escola seja tomada de maneira consciente levando em conta tanto as necessidades dos pais quanto as da criança.Bildschirmfoto 2013-02-05 um 21.51.20

A primeira infância é a fase de maior e mais rápido crescimento e desenvolvimento humano: constitui a base de sua construção enquanto pessoa e acolhe as primeiras experiências e significados do mundo. Aos poucos (e bem cedo, talvez até antes do nascimento), as necessidades das crianças vão se ampliando: além dos cuidados com alimentação, sono e higiene, as crianças precisam de oportunidades para conhecer, explorar e aprender o complexo mundo: das coisas, das sensações, das relações humanas. Escolas de educação infantil são especializadas em administrar com responsabilidade cuidados, atenção e educação, oportunidades sociais e materiais para o desenvolvimento das crianças.

Considerando estas necessidades de pais e filhos e conhecendo e concordando com os recursos físicos, materiais e profissionais da escola escolhida, a filosofia e os valores da mesma, não há motivos para que os pais se sintam culpados pela decisão. Vale lembrar que a escola jamais substituirá o afeto que vincula a criança à sua família: a família é e sempre será a principal referência afetiva de todos.

O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO

Adaptações são parte integrante do desenvolvimento, já que as pessoas estão continuamente adaptando-se a novos momentos, ambientes e situações ao longo do ciclo vital. A cada coisa nova que aprendemos, mudamos e, às vezes, precisamos mudar o que está ao nosso redor. Vamos nos desenvolvendo entre estabilidades e mudanças, um processo contínuo e recíproco de transformações.

Quando a criança ingressa na escola são muitas novidades: novos espaços para explorar, novas pessoas para conviver, novos sons para escutar, em algum momento, até novas regras para entender. Algumas novidades podem ser imediatamente motivadoras, outras podem causar estranhamento no início. Sentimentos e comportamentos inesperados em relação à escola podem aparecer. Então, é preciso procurar pacientemente entender o que se passa, conversar e transmitir segurança. E fazer isto em parceria com a escola, trocando ideias e informações, será excelente para todos superarem, juntos, o momento. Quanto mais a criança estiver habituada e afetivamente ligada ao ambiente escolar, mais naturalmente ela poderá encarar mudanças, novidades e medos.

Cada criança e cada família tem seu próprio ritmo e seu próprio modo para se adaptar. Falamos em processo, pois se trata de um movimento gradativo que vai se construindo nas interações entre as pessoas e os ambientes.

A adaptação depende, dentre outros fatores, das características da criança, de sua idade e da fase de desenvolvimento em que se encontra; e das características dos familiares e das pessoas envolvidas no ambiente escolar. O processo de adaptação costuma ser um momento de emoções diversas, encantamentos e ansiedades para todos. Criar vínculos e uma relação de confiança demanda tempo.

A Educação Infantil é, para muitas crianças, sua primeira experiência social e exige, portanto, um grande empenho emocional de todos.

A FAMÍLIA NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO

Os pais podem ficar ansiosos e Bildschirmfoto 2013-02-05 um 21.51.25divididos entre a perspectiva de ver seus filhos conquistando novos espaços e, ao mesmo tempo, “entregá-los” para esses espaços “desconhecidos”.

Em linhas gerais, como os familiares podem ajudar seus filhos neste momento?

– preparar-se: sempre conversando e conhecendo bem como a escola procede diante do processo de adaptação e auxiliando as pessoas envolvidas no conhecimento de seus filhos. Sempre que forem necessárias conversas mais demoradas com a professora, pedimos que a façam na hora da saída ou agendem por meio da coordenação;

– conversar com a criança francamente sobre a escola a fim de que ela possa criar um significado positivo dela: falar sobre o novo espaço, sobre as educadoras e sobre as outras crianças, contar suas próprias experiências (dos pais) quando criança, apontar amigos e primos da criança que vão à escola, combinar a rotina do dia situando o tempo conforme a percepção da criança. Entretanto, não convém antecipar nem repetir muito o assunto para não gerar ansiedade desnecessária, visto que as crianças possuem uma noção do tempo muito particular, com uma percepção bastante diferente da do adulto;

– não criar falas expectativas, nem demonstrar ansiedade e dúvida sobre o seu bem estar no espaço. Acreditar na criança e nas possibilidades que ela tem e terá e transmitir essa segurança à criança;

– demonstrar compreensão, amor e paciência, procurando entender as emoções, o ritmo e o momento da criança;

– permitir que ela traga um objeto de apego de casa se for importante para ela;

– dar espaço para que a criança reconheça e crie o seu próprio espaço na escola: para que a criança possa conhecer e gostar da escola e das pessoas aqui presentes, faz-se necessária uma certa distância dos pais, é preciso oferecer um espaço para que o adulto de referência na escola possa conquistá-la. Esse espaço deve ser ampliado progressivamente até que a despedida possa ser enfrentada sem desvios, de forma prática e rápida, sempre com demonstrações de carinho, firmeza e confiança.

A CRIANÇA E SUAS MUDANÇAS

O processo de desenvolvimento da criança dá um salto com a entrada na escola – ela prontamente reconhece um mundo de possibilidades e experiências bem mais amplo. Sua percepção e consciência do mundo podem provocar uma tempestade de sentimentos e conseqüentes mudanças de comportamento também em casa, que envolvem dualidades tanto do reconhecimento de conquistas, confiança, auto-afirmação da autonomia, quanto de dúvidas e inseguranças. Dentre as mudanças, pode aparecer: recusa de alimentação ou mudança de apetite, excitação, agitação ou quietude, cansaço, irritação, birras, choro, apego e demonstração de comportamentos anteriores ou infantilizados. É importante que essas mudanças, que são temporárias ou cíclicas, sejam acolhidas e respeitadas – que seja oferecido tempo e paciência para que a criança supere essas questões, sem deixar de lado a certeza de que essas são mudanças que justamente impulsionarão as conquistas e desenvolvimento da criança para próximas etapas e desafios. 

A IMPORTÂNCIA DA ROTINA

As crianças têm os sentidos apurados para adquirir novos conhecimentos (elas são capazes de aprender muito mais coisas em um dia do que os adultos), e um mundo inteiro para conhecer. Ao mesmo tempo, não possuem uma noção de tempo estabelecida como a do adulto: elas se situam no tempo e no espaço de acordo com as experiências de sentidos e vínculos que criam com eles e com as pessoas ao seu redor. Assim, uma rotina estabelecida oferece segurança, tranquilidade e autonomia a elas, especialmente quando se trata do ambiente escolar, um lugar rico e variado de pessoas, coisas e acontecimentos. Quando os pais e professores organizam os horários das crianças, favorecem um bom relacionamento delas com o mundo.

Bildschirmfoto 2013-02-05 um 21.51.29A ESCOLA NO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO

Para propiciar cuidado e educação infantil de qualidade, impõe-se o pensar na formação e na capacitação contínuas dos profissionais a fim de que estejam preparados para receber as diferentes situações que se apresentam e refletir sobre elas. Lidar com a adaptação exige aceitar as múltiplas perspectivas com que uma determinada situação é entendida/vivenciada pelos diversos participantes.

Isso pressupõe que a escola seja aberta, com clara disposição para uma relação franca e acolhedora com a família. Nesse panorama, as relações escola-família colocam-se como o aspecto central de atenção, transformando-as em grandes parceiras nos cuidados e na educação da criança. Apenas de forma conjunta é possível conduzir adequadamente o processo de adaptação à escola, por isso o acolhimento é fundamental.

A criança, para elaborar bem este processo de mudanças, precisa ter oportunidade para sentir falta da pessoa querida que está ausente, sentir-se triste, sozinha e talvez até zangada e deve poder expressar seus sentimentos de maneira apropriada. Nesse sentido, é fundamental que a professora esteja segura em saber intervir no momento certo criando uma relação afetiva de confiança, tanto com a criança quanto com os pais.

Os primeiros dias são realmente mais difíceis e cansativos, demandando maior dedicação por parte da professora. E os desafios e conquistas são organizados de forma progressiva. Aos poucos, vamos ampliando o tempo de permanência da criança na escola, o distanciamento dos pais dentro do espaço escolar e também os vínculos e referências da criança em termos de espaços, adultos, colegas e combinados.

A coordenação poderá oferecer, durante todo o processo, apoio e intermediação entre a educadora e a família.

READAPTANDO SEMPRE QUE PRECISO

A adaptação não é um processo que se encerra. Ela permanece em contínua transformação, a partir da sucessão de eventos, da aquisição de novas habilidades, da emergência de novos significados ou da construção das relações entre as pessoas. A adaptação não se restringe ao ingresso na escola, pois inclui mudanças de grupo ou de educadora, retornos após ausências, novas habilidades conquistadas, novidades trazidas pelas relações.

Sentimentos e comportamentos novos em relação à escola podem aparecer. E, mais uma vez, é preciso procurar pacientemente entender o que se passa, conversar e transmitir segurança. E fazer isto em parceria com a escola, trocando ideias e informações será excelente para todos superarem, juntos, o momento.

 SEJAM BEM-VINDOS!!!

Equipe THEMAeducando

SUCO E INFÂNCIA

Muitos alimentos a que temos acesso hoje em dia são considerados não-alimentos. Não apenas os produtos que sabemos serem prejudiciais como refrigerantes, biscoitos recheados, sorvetes, etc., mas sobretudo aqueles que imaginamos – pela influência da mídia – serem a chave para uma boa saúde aliados àpraticidade configuram uma queda na qualidade alimentar.

Esse vídeo retrata um pouco nossa vida moderna; lançamos mão de produtos prontos para consumo confiando na indústria e na legislação.

Nossa rotina diária, muitas vezes, faz com que passemos cada vez menos tempo na cozinha. Isso leva a um retrocesso na tradição alimentar; tradição essa que se caracteriza pelo preparo de alimentos sazonais, colhidos no quintal, preparados na hora, servidos com prazer e degustados com tempo, gratidão e atenção.

Muitas crianças nunca experimentaram tal sensação de ter uma refeição em família, quiçá com alimentos naturais dentro desse conceito tal aclamado, almejado ultimamente que é slow food. E tudo isso por conta da busca de conforto, praticidade e consumo que aceitamos sem questionar.

A infância é conhecida como a época em que hábitos, inclusive alimentares, são construídos e estabelecidos até a fase adulta. Assim, torna-se essencial que tomemos consciência das escolhas que fazemos para nós e para nossa família.

Embora a maior influência de hábitos e costumes se faça dentro de cada casa, a escola tem um papel importante na educação alimentar. O fato de a criança se alimentar na escola com alimentos naturais – como frutas, verduras e legumes – e de qualidade, feitos no local, pode representar escolhas alimentares mais saudáveis na adolescência e vida adulta, mesmo que receba outras influências.

Aqui no Thema, a criança tem acesso não apenas ao suco natural com pouco ou nenhum açúcar, como também a três variedades de frutas frescas, higienizadas, picadas em cada lanche.

Assim, pensamos na importância da alimentação desde cedo e trabalhamos para que esse caminho seja trilhado com tranquilidade e amor, formando indivíduos conscientes de suas escolhas com base no que há de melhor em alimentação.

ÉTICA, TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO

 

“Vi, numa manhã de sábado, num parquinho, uma cena triste:
um pai levara o filho para brincar. Com a mão esquerda empurrava
o balanço. Com a mão direita segurava o jornal que estava lendo…
Em poucos anos, sua mão esquerda estará vazia.
Em compensação, ele terá duas mãos para segurar o jornal.”
(Rubem Alves)

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Hoje, não é mais o jornal que seguramos na outra mão, mas o celular ou o tablet. E eles demandam, em muitos momentos, as duas mãos… São milhões de mensagens, vídeos e fotos que vão e que vêm, informações sem fim que nos paralisam diante de nossos filhos a balançar pelos parques da vida…

WhatsApp, Facebook e Instagram: também sou fã deles. Mas, eles me consomem um tempo precioso – já até “perdi a paciência” com qualquer coisa ou pessoa (até meus filhos…) que me impedisse de concluir a leitura ou o envio de uma mensagem!

Não sou contra a tecnologia e suas novas formas de comunicação, pelo contrário sei listar itens e mais itens de benefícios. Porém, mais que o tempo que tudo isso toma, algo vem me sensibilizando bastante. Quando resolvemos gastar um tempo nos celulares, trata-se de uma escolha que traz ganhos e perdas, como qualquer outra – especialmente pra nós mesmos, e ora para aqueles com quem convivemos proximamente. Mas, certas postagens em redes sociais ou trocas de mensagens tornam públicas questões íntimas por mais bem intencionadas que sejam, podendo acarretar “perdas” para outros além de si mesmo.

O pai do amigo do seu filho deu permissão para que você publicasse fotos dele? E se tiver algum detalhe que ele não gostou? E se ele mesmo não tem o hábito de divulgar imagens dos filhos?
Sua filha deixaria você mostrar a todos que acessam seu facebook uma imagem dela de calcinha mesmo na ingenuidade da infância?
Você tem certeza de que gostaria que até a conhecida da tia da amiga da sua funcionária soubesse que você está viajando ou foi promovida no emprego?
É verdade que aconteceu tal problema no clube A ou na escola B da forma como alguém postou no facebook, mesmo que você não conheça bem nem esse alguém, nem esse clube ou essa escola, ou que não tenha testemunhado a situação? Todos os lados foram considerados e ouvidos?
Será que aquela mensagem que a professora de natação da sua filha postou foi um recado entrelinhas direcionado a você?

E pronto: entramos num mundo de possíveis desentendimentos, de falta de ética.

São tão variadas as situações que mal saberia descrever. Mas, com meu olhar direcionado para a história da relação entre educação, infância, família e escola, mais que sugiro – apelo a todos os pais de crianças e adolescentes: se tiver algum desencontro com a escola de seus filhos, nada de WhatsApp, Instagram, Facebook, mensagens… procure encontrá-la, busque diretamente os envolvidos para esclarecer – do contrário, poderá impor “perdas” por causa de situações simples, até para as pessoas que mais ama no mundo, ao invés de conquistar “ganhos” para todos por meio de um diálogo realmente humano. Embora esteja certa de que isso valha também para outros contextos, muito do significado que a criança tem do aprender depende da relação que sua família constrói com a escola!

Sejamos proativos!

Mariella Guerrini
Psicóloga Escolar

COMUNICAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA

A comunicação já é um desafio numa relação entre duas pessoas, principalmente se acontece cotidianamente. Quando ela envolve uma multiplicidade de pessoas e situações torna-se mais que um desafio: um exercício minuto a minuto.

O tema é um assunto muito discutido aqui na escola. Como podemos melhorar a comunicação dentro da escola e entre escola e família? Como evitar as falhas? Quais são os assuntos importantes de se comunicar? Qual a melhor maneira? Como garantir que a comunicação aconteça de modo a potencializar o trabalho realizado com as crianças?

Pensando na constante melhora desta comunicação, buscamos diferentes estratégias: uso de agenda, circulares, site, emails, facebook, blog, telefone e até conversas, muitas conversas…

Se a comunicação é um movimento de duas vias, consideramos que há uma parcela de responsabilidade dos pais em colaborar com a eficiência em nossas trocas e isso constrói a relação pais-escola.

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Assim, sugerimos a busca pelas informações disponibilizadas pela escola (facebook, site, mural, blog, leitura de circulares e emails) bem como, prioritariamente, o envio de  recados por escrito na agenda ou emails. Pedimos que evitem os recados orais, especialmente na portaria ou corredores da escola para garantir a eficiência da comunicação. Para o telefone, vale priorizar as informações em que o tempo conta como fator significativo. E, quando o assunto puder se prolongar, vale marcar uma hora e “sentar pra conversar”.

Tudo isso com o mesmo amor e carinho que procuramos dedicar diariamente às nossas crianças, seja por respeito ou até por modelo para os nossos pequenos! A relação da criança com a escola depende bastante da relação entre a escola e a família!

E por tudo isso e muito mais agradecemos desde já!

SEGURANÇA: UMA RESPONSABILIDADE DE TODOS!

Como podemos melhorar a segurança na entrada da escola? Podemos evitar que assaltos ocorram? Como garantir a segurança de nossas crianças? Como as famílias podem ser parceiras nessa ação?

Há tempo refletimos sobre a segurança dentro da escola e, consequentemente, fora: na frente, nas ruas ao redor, no bairro, nos pontos de ônibus, nos semáforos, e nos perguntamos, por que temos a falsa sensação de segurança quando estacionamos o carro na porta do Thema? Quando vamos à farmácia, padaria, estacionamos o carro e deixamos a porta aberta, chave no contato, vidros abaixados, bolsa no banco, descemos do carro deixando as crianças correrem na calçada enquanto conversamos com outras pessoas? Mas, por que isso ocorre na frente da escola? Que tipo de segurança precisaríamos ter para poder proporcionar ações como essas?

Vigias, porteiros, câmeras? O que resolveria? Quais ações poderiam evitar um assalto à mão armada? Como devemos agir e reagir? Será que ter seguranças armados na frente da escola resolveria ou criaria circunstâncias ainda perigosas?

Quando vivenciamos esse tipo de situação a primeira pergunta é o que a escola irá fazer. Podemos afirmar que continuaremos com ações e iniciativas para inibir situações similares, além de pensar e avaliar novas alternativas seguindo orientações de especialistas, como a contratação de uma empresa de segurança, mas que dificilmente isoladas evitarão que situações planejadas e abordagens como a de ontem[1] ocorram, por isso precisamos que todos estejam em alerta.

No início do ano, enviamos um texto informativo sobre algumas precauções que podemos tomar para evitar que essas situações ocorram (observar se há pessoas estranhas antes de parar na frente da escola, não deixar o carro aberto, guardar chaves, bolsas, carteiras, procurar ser rápido), precisamos retomar essas informações e colocá-las em prática. Garantir segurança para nossas crianças está em primeiro lugar e é dever de todos.

O que não podemos é deixar de fazer, deixar de viver e permitir que o medo tome conta. Somos pais, educadores e obrigatoriamente otimistas.

Paula Franco
12/11/2013
Diretora – Escola THEMAeducando
[1] Após as crianças serem tiradas do carro, dois homens atravessaram a rua, apontando uma arma para o pai que estava na calçada. Sem qualquer contato físico, entraram no carro e foram embora, felizmente, sem que ninguém ficasse machucado.

BOLETIM REFLEXIVO – A MENTIRA INFANTIL

“Quando a mentira dá certo, vira verdade, né?”
Definição de uma criança sobre mentira do Dicionário de Humor Infantil
(Bloch, 1998, p.111).

HISTÓRIAS (uso de nomes fictícios)

Brincando em casa, um menino chamado Daniel sujou o sofá. Quando a mãe entra na sala e pergunta o que aconteceu, ele responde que foi “um menino do 9º andar chamado Danilo que entrou lá e fez aquilo”.

Uma criança chega à escola pedindo para almoçar, pois “a empregada faltou e ela ficou sem comer nada”. Questionada pela professora, ela dá tantos detalhes que a professora resolve telefonar na casa dela. A mãe desmente toda a história. A professora volta a conversar com a criança, agora com os dados reais do acontecido. Diante da verdade, a criança acaba reconhecendo que está apenas com vontade de almoçar no Thema com os amigos.

Durante uma brincadeira, um amigo morde o braço do outro. Quando questionado sobre o que aconteceu, o menino que mordeu responde que o amigo foi mordido por um “escorpião”. Quando a educadora diz que aquela mordida não se parece com a de um escorpião, mas sim de uma pessoa, ele muda a história e diz que foi um “árabe”. Mais uma vez a criança é questionada sobre a sua história e, por fim, acaba assumindo que mordeu o amigo.

 ENTENDENDO O PENSAMENTO DA CRIANÇA

“Pensar é a arte de brincar com coisas que não existem. Pensamentos são brinquedos inexistentes” (Rubem Alves, 2013, p.6)

A criança pequena é movida pelos seus desejos. Inicialmente, apontar seus desejos e necessidades é questão de sobrevivência: “choro porque tenho fome, logo alguém me oferece alimento”. Assim, seu pensamento se torna mágico e egocêntrico. O conhecimento que tem do mundo é o mundo para ela. Tudo o que ela sabe, o que está na sua cabecinha, é a realidade e é válida para todos os outros. Falamos que a criança pequena é egocêntrica não no sentido de egoísmo, mas, de fato, porque seu pensamento é centrado nas próprias experiências e conhecimento que tem do mundo, no próprio ego. Se algo é verdadeiro para ela, então será para todos os outros. É por isso, por exemplo, que uma criança fala para alguém que acabou de conhecer: “Lembra que a Fifi gosta de tomate?”. “Mas quem é Fifi?”, responde o adulto. “Ué, a Fifi!”, como se isso bastasse. Logo um dos familiares vem socorrer explicando que a Fifi é a cachorrinha dela…

 A MENTIRA INFANTIL OU PSEUDOMENTIRA

Se a imaginação da criança é mágica, ela lhe ajuda a elaborar e aliviar suas emoções. Para a criança, basta imaginar que a solução acontecerá – foi assim, e ainda será em muitos momentos enquanto não tiver maior autonomia, enquanto depender dos adultos para solucionar seus desafios. Desta forma, imaginar inverdades lhe parece um bom caminho, talvez o único conhecido até então (portanto autônomo/independente), para transformar algo que não é agradável como, por exemplo, o sentimento de culpa. Aliás, a criança ainda não sabe diferenciar claramente nem seus sentimentos, nem suas fantasias da realidade e é por isso que é tão fácil transformar sua realidade com o simples ato de pensar algo diferente do que realmente aconteceu. Desta forma, é sabido que toda criança pequena “mente”, pois ela ainda não sabe que sua criatividade pode ser, em determinados momentos, mal vista pelos adultos. Não existe mal para ela em transpor a realidade em função de seus desejos, ela tende mais à satisfação do que à objetividade.

 MENTIRA E DESENVOLVIMENTO DA MORALIDADE

“É na proporção dos encontros do pensamento próprio com o de outro que a
verdade tomará valor aos olhos da criança.”
(Piaget, 1994, p.132-133).

Inicialmente a criança só vê gravidade na mentira conforme a reação negativa do adulto. Se para ela não há mal em mentir, o mal está no adulto descobrir. É por meio da repreensão do adulto que a criança toma para si a regra de que “mentir é errado”, sem, num primeiro momento, compreender qual a razão disto. As regras poderão ser levadas ao pé da letra até que ela tenha o desafio de praticá-las e experimentá-las na realidade por diversas vezes e de formas variadas, refletindo a respeito e contraponto seu ponto de vista com o dos outros. Por exemplo: num jogo de tabuleiro, a criança pode defender fortemente a regra de que é permitido jogar o dado apenas uma vez até que ela passe pela experiência de jogá-lo tirando apenas o número um. Isso não lhe parece justo. Mas, em outro momento, observa um colega passar por situação semelhante sem se sentir injustiçada, pelo contrário, ainda animada com a possibilidade de vencer. Ou, ainda, observa que nem a própria sorte de tirar números altos lhe garante a vitória do jogo, pois pode cair em uma casa que lhe obriga a retornar para o início do tabuleiro do jogo.

Assim, a criança vai checar e chocar suas razões, suas fantasias constantemente com a realidade de várias pessoas. E, muitas vezes, não entrará em acordo até que observe que existe um caminho comum, um caminho em que as regras podem ser universais, que é o caminho da verdade e da cooperação. Ela precisa “trazer o policial de fora para dentro” (Fraiberg, apud Brazelton, 1994, p. 409). Ou seja, a criança só terá a noção interiorizada e compreensiva da regra, só compreenderá, de fato, a ordem do “não mentir” quando puder experimentar a reciprocidade e o respeito mútuo que pressupõe o ato de não mentir: enganar alguém suprime a confiança mútua.

 COMO LIDAR COM A MENTIRA INFANTIL

“O adulto não deve perturbar a fantasia da criança, mas também não deve reforçá-la.”
(Lobo, 1997, p.281).

Se um acontecimento pode ser vivenciado e explicado pela criança de forma fantasiosa, seu sentimento não o é. Sua angústia em desapontar um adulto querido é, muitas vezes, o motivo pelo qual a criança mente. O medo e a culpa estão presentes, são reais e não devem ser desmistificados pelo adulto. Mas, se a farsa infantil não for desvendada pelo adulto, a criança irá demorar a perceber a realidade, retardando seu desenvolvimento moral. O adulto jamais deve perder a oportunidade de ensinar a responsabilidade e o respeito aos outros e a si mesma. Como fazer?

MODELO – Em primeiro lugar e mais importante está o modelo do adulto. O adulto deve ser sempre verdadeiro e honesto tanto com a criança quanto com os outros.

Deixar o bebê na casa da avó e sair de mansinho escondido para poupá-lo da despedida certamente não é um bom modelo, tampouco uma boa experiência de confiança a ser transmitida para a criança.

Pedir, cochichando e fazendo mímicas, para que digam ao telefone à “moça do telemarketing” que você não está, pode de lhe parecer justo, afinal, quantas vezes ela realmente pode te importunar? Porém, não é um bom exemplo de verdade, como a regra da verdade poderá ser generalizada para as crianças assim?

Criar explicações fantasiosas em algumas situações não é nada produtivo na educação de crianças. Às vezes somos tão infantis quanto elas na tentativa de aliviar nossas ansiedades e tensões. Dar bronca numa mesa porque “ela bateu na cabeça da criança” não a ajudará de forma alguma na diferenciação entre fantasia e realidade, pelo contrário, a confundirá, pois ela acredita facilmente nas coisas mais absurdas. Se o adulto fala que alguém está no bolso da criança ela irá procurar lá, até que se sinta boba e desconfiada.

As “brincadeiras de faz de conta” são “brincadeiras de faz de conta”, são jogos simbólicos e não “brincadeiras de mentirinha” – cuidado com os termos usados com as crianças.

NÃO AMEAÇAR – É completamente incoerente exigir que a criança não minta se a ameaçamos no dia a dia com inverdades. Não se pode esperar que ela perceba objetiva e responsavelmente a realidade se tornando fiel a ela se dizemos para “não ir para aquele lado senão o bicho papão irá pegá-la”, ou “não fugir de casa, porque o homem do saco vai comê-la”. Assim, na checagem que ela fará em suas diversas experiências descobrirá que não pode confiar nos outros e que poderá discursar fantasiosamente conforme seus interesses a fim de atingir seus objetivos.

CONTROLAR REAÇÕES EXAGERADAS – Por mais que se sinta decepcionado diante da mentira de um filho, lembre-se que ele ainda não compreende responsavelmente porque não deve mentir, sua intenção é genuinamente positiva e, talvez, o único caminho independente conhecido por ele. Evite reagir de forma horrorizada diante de uma mentira e se o fez, admita e peça desculpas. As reações destemperadas e os castigos severos levam a criança a três possíveis caminhos: consciência rígida demais, revolta ou repetição compulsiva da mentira. Procure compreender as circunstâncias dos fatos e os motivos da criança, só assim poderá conduzi-la num bom caminho.

DIÁLOGO COMPREENSIVO BASEADO NO RESPEITO MÚTUO E NA COOPERAÇÃO – Não deixe passar. Por mais engraçadinha ou corriqueira que pareça uma mentira, ela é uma boa oportunidade de conversa. Se o adulto não contrapuser a fantasia da criança com a realidade, ela manterá seu pensamento mágico e egocêntrico certa de que só há mal na mentira que é descoberta. É preciso confiar na criança demonstrando boa vontade em ajudá-la, mas sempre a aproximando da realidade, ensinando-a a entender as consequências de suas atitudes. Discuta o episódio, procure descobrir com ela as razões que a levaram a mentir, pois isso a ajudará a respeitar os sentimentos e direitos alheios. Se necessário, aplique sanções que a ajudem a relacionar atitudes com suas consequências.

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Paisagens da Alma. São Paulo: Planeta, 2013.
BLOCH, Pedro. Dicionário de Humor Infantil. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998.
BRAZELTON, T. Berry. Momentos decisivos do desenvolvimento infantil. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
LOBO, Luiz. Escola de Pais: para que seu filho cresça feliz. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1997.
PIAGET, Jean. O Juízo Moral na Criança. São Paulo: Summus Editorial, 1994.

Acesse a versão para impressão aqui: http://www.themaeducando.com.br/site/noticias/arquivos/201310231611240.04%20-%20Boletim%20SetOut%20-%20Pseudomentiras.pdf

É PRECISO NÃO SE ESQUECER DAS BANANAS – RUBEM ALVES

“Vou contar para vocês uma estória. Não importa se verdadeira ou imaginada. Por vezes, para ver a verdade é preciso sair do mundo da realidade e entrar no mundo da fantasia…

Um grupo de psicólogos se dispôs a fazer uma experiência com macacos. Colocaram cinco macacos em uma jaula. No meio da jaula, uma mesa. Acima da mesa, pendendo do teto, um cacho de bananas. Os macacos gostam de bananas. Viram a mesa. Perceberam que, subindo na mesa, alcançariam as bananas. Um dos macacos subiu na mesa para apanhar uma banana. Mas os psicólogos estavam preparados para tal eventualidade: com uma mangueira deram um banho de água fria nos macacos. O macaco que estava sobre a mesa, ensopado, desistiu provisoriamente do seu projeto. Passados alguns minutos, voltou o desejo de comer bananas. Outro macaco resolver comer bananas. Mas, ao subir na mesa, outro banho de água fria. Depois de o banho se repetir por quatro vezes, o s macacos concluíram que havia uma relação causal entre subir na mesa e o banho de água fria. E como o medo da água fria era maior que o desejo de comer bananas, resolveram que o macaco que tentasse subir na mesa levaria uma surra. Quando um macaco subia na mesa, antes do banho de água fria os outros lhe aplicavam a surra merecida.

Aí os psicólogos retiraram da jaula um macaco e colocaram no seu lugar um outro macaco que nada sabia dos banhos de água fria. Ele se comportou como qualquer macaco. Foi subir na mesa para comer as bananas. Mas, antes que o fizesse, os outros quatro lhe aplicaram a surra prescrita. Sem nada entender, e passada a dor da surra, voltou a querer comer a banana e subiu na mesa. Nova surra. Depois da quarta surra, ele concluiu: “Nessa jaula macaco que sobe na mesa apanha.” Adotou então a sabedoria cristalizada pelos políticos humanos que diz: “Se você não pode derrotá-los, junte-se a eles”.

Os psicólogos retiraram então um outro macaco e o substituíram por outro. A mesma coisa aconteceu. Os três macacos originais mais o último macaco, que nada sabia da origem e da função da surra, lhe aplicaram a sova de praxe. Este último macaco também aprendeu que naquela jaula quem subia na mesa apanhava.

E assim continuaram os psicólogos a substituir os macacos originais por macacos novos, até que na jaula só ficaram macacos que nada sabiam sobre o banho de água fria. Mas, a despeito disso, eles continuavam a surrar os macacos que subiam na mesa. Se perguntássemos aos macacos sobre a razão das surras, eles responderiam: “É assim porque é assim. Nessa jaula macaco que sobe na mesa apanha”. Haviam se esquecido completamente das bananas e nada sabiam sobre os banhos. Só pensavam na mesa proibida.

Vamos brincar de “fazer de conta”. Imaginemos que as escolas são as jaulas e nós estamos dentro delas. Por favor, não se ofenda, é só “faz de conta”, fantasia, para ajudar o pensamento. Nosso desejo original é comer bananas. Mas já nos esquecemos delas. Há, nas escolas, uma infinidade de coisas e procedimentos cristalizados pela rotina, pela burocracia, pelas repetições, pelos melhoramentos. À semelhança dos macacos aprendemos que “é assim que são as escolas”. E nem fazemos perguntas sobre o sentido daquelas coisas e daqueles procedimentos para a educação das crianças.

(…)”

A hora da despedida

foto (3)Nossa vida é cheia de “tchaus”, mas a despedida na entrada da escola de educação infantil pode mobilizar ainda mais algumas crianças e familiares por ser uma das primeiras experiências de distanciamento na forte relação entre criança e ‘cuidador’.

Entretanto, essa relação é forte exatamente por representar a principal referência da criança em termos de segurança.

Isto coloca o adulto numa situação de desafio muito maior do que o proposto à criança, pois é ele o responsável por transmitir confiança.

Sendo assim, não convém esperar que a criança se despeça, que dê o seu “tchau” para tranquilizar os pais ou avós, mas o contrário. Certamente isto acontecerá em algum momento de forma rápida e natural principalmente quando (e quanto antes) ela puder sentir que o adulto se despede com facilidade e segurança, confiante naquilo que está oferecendo à criança.

É certo que a dificuldade que pode ser enfrentada nesse momento de despedida (às vezes vivenciada apenas como uma “enrolação para o tchau”) depende de diversos fatores e não apenas desta postura do adulto, mas quando o adulto toma a iniciativa do “tchau”, além de transmitir segurança e confiança na própria relação e nas relações que serão construídas dento da escola, alivia ou poupa a criança de tal decisão, quando ela já dispensa energia para ‘enfrentar’ outros fatores de adaptação.

Mariella Guerrini e Equipe pedagógica

Que QUALIDADE é essa que tanto falamos e ouvimos falar?

Muito escutamos falar sobre a qualidade do Thema, que vai de “excelente qualidade” até de “perda de qualidade”.

Assim, perguntamo-nos: o que afinal isso quer dizer?
Buscando por esta resposta, retomamos que a origem da palavra vem do latim qualitatem/ qualitas, ou qualis, que quer dizer “de que natureza”. Sendo assim, qualidade se remete a características e propriedades de uma realidade, no nosso caso escolar.

Mas, o que é ter qualidade?
Será que o que é qualidade numa escola para uma pessoa é a mesma coisa para outra? O que os educadores pensam sobre qualidade? O que os pais pensam sobre qualidade? Será que temos que nos preocupar apenas com essas opiniões? E as crianças? O que é qualidade para elas?

Qualidade é percebida de uma forma individualizada, influenciada diretamente por expectativas e socialmente construída: qualidade de ensino, qualidade de formação, qualidade de espaço, qualidade de profissionais, qualidade de cuidados, qualidade de alimentação, qualidade de higiene, qualidade afetiva, qualidade de atendimento, qualidade de valores, qualidade de equipe. Qual é a mais importante? Quais são os adjetivos dessas qualidades? O que é qualidade hoje será amanhã? Quais qualidades não vislumbramos? Podemos comparar qualidades de ontem e de hoje? Quais indicadores de qualidade temos? Será que somos capazes de ver, não olhar, escutar, não ouvir, comunicar, não falar, com as qualidades do Thema?

Segundo Rubem Alves, o corpo humano é dotado de mecanismos de “controle de qualidade”. Sentimos o cheiro dos alimentos para saber que eles estão bons assim como os animais que não habitam ambientes poluídos. Mas, esses mecanismos valem para a escola? Acreditamos que sim! Uma mãe uma vez me disse que depois de visitar várias escolas, quando chegou ao portão do Thema, sentiu: “Essa é a escola que quero para meu o filho”, veja bem, que QUERO, não a tenho nesse momento, então podemos afirmar que sim, o corpo humano é dotado de mecanismos que controlam a qualidade, no caso de uma escola temos muitos corpos controlando a qualidade, inclusive a própria equipe docente que QUER fazer a diferença para cada uma das crianças que aqui estão. Assim, sentimos os gostos, os sabores, os cheiros, as texturas, os barulhos, do que é qualidade na nossa escola.

A qualidade numa escola está no processo, nas transformações, e não no produto final. O Thema não está pronto, nem nunca estará. Estamos em constante formação, renovação, aprimoramento; somos dinâmicas, contínuas e requisitamos revisões. Ano que vem (2014) o Thema completa 30 anos. Nesse percurso vivemos muitas mudanças: gerações, valores, prioridades, qualidades, vivemos metamorfoses. Entretanto, nunca deixamos de colocar em primeiro lugar a qualidade sob o ponto de vista da criança, uma qualidade de natureza auto-reflexiva, participativa, transacional, plural. Desse modo, saber o que é qualidade e qual a qualidade que, para nós, é prioritária faz com que possamos mantê-la ao longo desse percurso, oferecendo oportunidades para compartilhar, discutir e entender valores, ideias, conhecimentos e experiências, fazer uma gestão de qualidade, numa busca constante de excelência.

Paula Franco
Diretora Pedagógica