Boletim Especial Set/12 – Memórias da Educação Infantil

“- Myroca! Myroca! O Beto é de verdade?” Sim, ele é nosso amigo do Thema. “Não! Myroca … Assim, oh! De carne e de osso?” – perguntava uma criança beliscando seu bracinho.

 Nas memórias de uma escola existem muitas histórias, que tem um valor enorme para cada educador que passa por ali.

 Muito cedo o “dom” de educar já tomava espaço em meu coração, este desejo de estar próxima das crianças, criar um espaço em que pudessem sentir o quanto as queria por perto, de um desejo simples de uma sala de aula surgiu uma missão muito maior: “uma escola”. O trabalho, os espaços conquistados, os aprendizados adquiridos, cada criança que passou, que cresceu conosco, que levou em sua memória aprendizados que vão refletir por toda sua vida. Foram 33 anos vida, dedicados ao magistério.

 Hoje, lendo as memórias das educadoras do Thema, como puderam ler também, é que escrevo um pouquinho do que tenho em minhas memórias.

 Descobri o meu tempo de parar… Talvez porque a cada ano vão embora alguns para continuarem suas trajetórias de desenvolvimento e chegam outros cheios de esperança para iniciarem seus aprendizados. E, assim, vai acontecendo com adultos e crianças.

 Pais precisam saber a hora em que devem recuar para que os filhos cresçam. Tem momentos que precisamos fazê-los entender que a confiança que temos por eles é verdadeira e sem medos. Contudo, assumem o mundo adulto levando com eles a credibilidade e otimismo com que foram criados.

 Não estou longe, estou por perto, ministrando todo meu amor, carinho, por um ambiente que recebe os seres humanos que mais me encantam, as crianças.

 Deixei com as crianças do Thema quem eu vi e pude presenciar amar a profissão de educar, quem eu vi os olhos brilharem por cada dia aprender mais sobre o que fazer, como fazer e como vale a pena, por elas, crianças, continuar a fazer.

 Certa de que as profissionais que estão à frente do Thema são firmes, verdadeiras, livres, alegres, determinadas, capazes de perceber o que de mais importante é necessário na educação dos pequenos. Elas estudam, buscam caminhos, se abrem para novos aprendizados, vivem intensamente as maravilhas e as dificuldades da educação.

 Para elas digo: continuem, se apeguem aos pequenos, tenham em mente o mais importante dos objetivos do Thema, adquiram procedimentos que sejam favoráveis ao desenvolvimento das crianças, olhem para a criança como nosso maior tesouro da educação.

 Afinal, por que acham que não desistimos?

 Deus abençoe esta missão de Educar permitindo que princípios e valores consistentes sejam metas nesta tarefa. Estou de olhar atento e coração sensível a cada movimento do Thema.

 Memórias fraternas,

 Myroca

Boletim Set/2012 – Memórias da Educação Infantil

As memórias da educação infantil são tão potentes
que são capazes de mudar a nossa maneira de ver o mundo. Paula Franco, diretora pedagógica.

Atendendo aos pedidos dos pais leitores, o boletim informativo está de volta e com novidades. Acontecimentos, eventos e datas especiais continuarão sendo apresentados nas redes sociais (site da escola, facebook e blog). Aqui no boletim, teremos temas do interesse de educadores e pais e a cada mês um assunto diferente será abordado. Assim, nada melhor do que retornar lembrando-se de fatos importantes. Memórias da educação infantil, das crianças e educadores da escola. Afinal, tudo que temos de mais valioso em nossa vida são as memórias do que vivemos.

HISTÓRIAS ENGRAÇADAS

Certa vez, uma educadora disse que essa é a profissão mais feliz do mundo. E realmente, tendo a oportunidade de acompanhar a trajetória desses pequenos, sabemos o quanto esta é recheada de casos engraçados. Como dizem os mais “curiosos”, eu daria tudo para ser um mosquitinho e ouvir o que as crianças tanto falam.
Depois de ir para a horta com as crianças, couves foram colhidas para fazer um refogado. Indo para a sala, uma criança comenta com a outra: pegamos couve na horta para fazer um resfriado!. Auxiliar Juliana
Buscando maneiras para não ir embora do Thema ao final do 1° ano, uma criança entra na secretaria e pergunta: posso deixar meu currículo aqui? É que eu tenho observado que o tio Luis anda meio cansadinho e acho que a gente pode dividir as aulas de futebol. Professora Ana Paula
Durante a rotina da manhã, saímos do parque para lavar as mãos e almoçarmos. Auxiliei as crianças nesse momento e fomos andando para o refeitório sem fazer trem, uns foram na frente, outros ficando mais atrás. Ao contar as crianças para colocar os pratos percebi que estava faltando uma. Procurei pela escola toda até que a achei no banheiro. Ela estava trocando a roupa, porque disse que estava muito calor, mas o que chamou atenção é que ela pegou o saquinho no zíper ao lado da mochila, dobrou (do jeitinho dela) a roupa suja e guardou no saquinho separado da roupa limpa. Não consegui nem chamar a atenção pelo fato dela ter saído de perto do grupo depois de tanto cuidado. Sentei ao seu lado e esperei que se trocasse toda e arrumar sua mochila, auxiliando apenas no fechar do botão do short. Professora Lisiane
Em um dia de intergrupos de brincadeiras folclóricas, foi oferecido um lanche diferente do cardápio. Porém, as crianças do 1° Ano encontraram um grande desafio para degustá-lo: comer milho na espiga sem os dentes. Muitas crianças nessa época já tinham perdidos alguns dentes, principalmente os da frente. E, para não deixar de se deliciar com o milho, enquanto comiam faziam variadas caretas e manobras. Enquanto alguns se divertiam observando os outros amigos, uma delas, muito chateada, fez o seu desabafo: é muito difícil ser banguela! Eu não consigo comer nem maçã, nem milho. Tempos depois, ela se deu por satisfeita por ter conseguido comer o milho de uma única espiga. Professora Ariane Frasson
MEMÓRIAS DA COORDENAÇÃO
diretora pedagógica

 Atualmente atuo como diretora da escola, tarefa difícil, gostaria de aproveitar esse espaço para contar um pouquinho da minha história, que é também a história do Thema… Minha família é de Minas Gerais, vim para Campinas ainda bem pequena, minha mãe, Myroca, uma grande educadora, começou a trabalhar num berçário e, após algum tempo, tornou-se proprietária, iniciou então uma jornada que resultou numa escola de Educação Infantil. Desde criança participei de toda a construção do Thema, que vocês conhecem hoje. Trabalhei em curso de férias, auxiliei professoras, brinquei e dei aula para muitas crianças que, hoje, já têm filhos e alguns cá estão.

Em 2001, iniciei o curso de pedagogia na Unicamp, após muitas dúvidas essa decisão foi tomada com o apoio de minha mãe que despertou em mim o amor (vejam bem, amor, pois a paixão sabemos que acaba) pela educação. Assim, comecei de fato a trabalhar como educadora do Thema, atuei como auxiliar de Maternal, professora de G1, G5 e coordenadora pedagógica.

 Em 2009, iniciamos uma nova jornada, em decorrência de alterações legais (nosso antigo pré/G5, passou a ser 1ºano do fundamental) e movidas por ideais ligados à infância e à valorização dessa, entramos com um pedido de regularização na Delegacia de Ensino, e para nossa maior surpresa, conseguimos autorização para ter o Ensino Fundamental. Assim, um dia de cada vez, com muito estudo e preparo, temos a intenção de ampliar o Thema até o 5ºano.

 Muitos são os desafios que já superei em minha jornada e muitos ainda estão por vir, afinal escolhi uma profissão que se transforma a cada dia. Estar atenta ao mundo, sociedade, culturas e conhecimento é fundamental para conseguir vislumbrar possíveis mudanças pertinentes e críticas, capazes de contribuir para uma formação consistente de cada ser que habita o Thema.

Sabendo que o ato de se autoavaliar não está diretamente relacionado ao tempo de experiência e sim a uma capacidade de reflexão e análise, que se distancia da prática e passa a ver o erro como um processo de aprendizado, assumi em 2012 a direção da escola. Preparada? Será que algum dia estaria? Mas, o que posso garantir a cada um de vocês, que colocam em minhas mãos e de toda a equipe maravilhosa do Thema – que a cada dia aumenta e se qualifica, o que vocês tem de mais precioso, que farei sempre o melhor, respeitando os ideais e valores preconizados pela filosofia e história do Thema.
Sabendo que “para confirmar cientificamente a verdade, é preciso confrontá-la com vários e diferentes pontos de vista. Pensar uma experiência é mostrar a coerência de um pluralismo inicial.” (Bachelard, 1996, p.10). Assim, conto com uma equipe de coordenadoras e professoras que contribuem com a construção da educação realizada no Thema.

Paula Franco

coordenadora geral

Dizem que são pelas andanças, altos e baixos da vida que aprendemos a lidar com as mais variadas situações. Acredito que eu seja assim. Nasci em Guaratinguetá, cursei o magistério em Aparecida, faculdade em Lorena, especialização em Campinas e pós-graduação em São Paulo e já trabalhei com realidades bem diferentes da qual estou hoje, em uma obra social e em uma creche. Assim, gosto de olhar para trás e ver o quanto já aprendi e como tenho aproveitado meu tempo. Acredito que não todas, mas algumas pessoas já nascem apaixonadas por aquilo que se dedicam a fazer e o tempo só faz isso aumentar. Esse é meu caso. Nasci apaixonada pela educação, não dos grandes, mas dos pequenos. O tempo me levou à descoberta do trabalho na educação infantil. Tempo para ouvir e escutar, tempo para olhar e observar, tempo para ensinar e aprender…

 O tempo também me mostrou que a distância da família e pessoas queridas me fez a passar a ter outro olhar em relação a minha vida. Se estou me dispondo a morar longe da família, que seja para valer a pena então. Trabalhando no Thema desde 2006, posso dizer que aqui minha família aumentou. Afinal, não somente eu, mas tantas outras pessoas passam a maior parte do seu dia no trabalho. Mas, este não é um trabalho qualquer, em qualquer lugar. É um trabalho com a educação dos pequenos e no Thema. Quanta responsabilidade não? Ou melhor, que maravilha!

 A cada ano, tenho acompanhado e participado das transformações da escola. Maior espaço físico, autorização para o funcionamento do Ensino Fundamental, nova organização da coordenação e direção. Mas, mesmo com toda essa estrutura, se eu não acreditasse na educação, de nada adiantaria. Você sabe o que é ser um educador? Dentre tantas coisas, é acordar de manhã sabendo que à sua espera você terá crianças que acreditam naquilo que você diz, que esperam você de pés descalços para brincar na areia, para ser a filhinha na brincadeira de casinha, que pede ajuda para escrever algo ou amarrar o cadarço do tênis… Por isso, é importante pensar não somente na professora que está à frente do grupo, que tem todo o preparo pedagógico das propostas e projetos, mas também de toda a equipe. Como falar, atender as crianças da melhor maneira possível? Esse é um desafio que temos a cada dia. Agora, nessa minha nova etapa, minha preocupação não é somente com um grupo, com as crianças do meu grupo. Minha preocupação é com a formação das educadoras que, de uma maneira e de outra, participam e são responsáveis pela qualidade do nosso trabalho, das nossas crianças.

 Ser pedagoga é assim: cada coisa precisa de um tempo para acontecer. Mas não podemos esperar que algo aconteça sem nossa ação. Depois de anos buscando ser uma professora de qualidade, é chegada a hora de pensar na formação dos profissionais que atendem as crianças. É preciso estudo, trabalho em equipe, saber ouvir e falar, pois a educação não é algo que se possa dar por pronta e finalizada. Por isso o Thema e todos aqueles que fazem parte dele – funcionários, pais e crianças – estão sempre em transformação. Transformação que deixam marcas, muitas lembranças, que permanecerão por muito tempo, quem sabe a vida toda. São questões que estarão sempre entrelaçadas, amarradas. Posso dizer como é bom olhar para trás e ver quantas marcas já foram deixadas, mas sem dúvida, é tempo de pensar naquelas que ainda estão por vir. Mais do que estar em uma equipe, é saber que faço parte de uma equipe que acredita na qualidade do trabalho para a Educação Infantil, que pensa não somente na formação das crianças, mas também dos seus profissionais.

Ana Paula

coordenadora ciclo I

O que posso trazer em memória, senão pelos olhinhos brilhantes que me olham diariamente com desejo de novas descobertas?

 Trabalho no Thema como educadora há oito anos e atuo como coordenadora pedagógica pelo terceiro ano. Tudo começou por um forte desejo de novas descobertas… Quando criança eu desejava ser cientista, pode acreditar! Eu desejava investigar o mundo sem saber ao certo o que.

 Conclui o Magistério, fiz 2 anos de teatro, terminei a Faculdade de Pedagogia e a partir daí, comecei a dar significado a valores em minha formação. Trabalhei como voluntária em um hospital com crianças, cujo principal valor era a vida, fui professora do 1° Ano em ONG, onde as crianças tinham “fome de aprender e vontade de comer” e, depois, vim ressignificar o motivo de ser educadora, tendo oportunidades aqui no Thema. Ressalto a palavra oportunidades, pois desde o início, pude contar com profissionais que acreditaram em meu trabalho e muito mais do que isso, alimentaram meu forte desejo de investigar o mundo com as crianças. Um detalhe nesta época chamou minha atenção: diferente de outros lugares, aqui no Thema, toda proposta era significativa para os pequenos e, mais do que a paixão por educar, os profissionais se envolviam por amor em cada situação de aprendizagem e todos se empenhavam muito para isto, a começar pelo brilho do olhar da Educadora e Diretora Myrian. Os olhos dela, sempre brilharam para os olhares das crianças e consequentemente, esses se refletiam nos nossos e prosseguem nos dias de hoje. Entrei no Thema como professora do 1° Ano, depois trabalhei com crianças do G1, G2 e por fim, com crianças de Berçário e Maternal e este último grupo instigou profundamente o desejo de possibilitar que os passos dos pequenos investigassem e se relacionassem com o mundo que os cercam, afinal, lidamos com a formação de pessoas e não somente com o cuidado das crianças.

 Fui coordenadora das aulas extras, recreação e hoje, estou na coordenação do Ciclo 1. De educadora, passei a ser também formadora – profissão que muito me instiga, pois trabalhar diretamente com a formação de professoras é um grande desafio! Trata-se de um caminho difícil que exige esforço, energia, muito trabalho e às vezes sofrimento, mas que também oferece encanto, surpresa, alegria e satisfação. É um caminho que demanda tempo, como o tempo que as crianças têm e os adultos não têm ou não querem ter. Este tempo permite ainda a busca pelo significado das experiências com as crianças, as quais deixarão para sempre, suas marcas assim como minhas memórias. Junto aos desafios como educadora, em breve, experimentarei SER MÃE – com certeza, esta experiência intensificará a prática e o amor, que é a essência da escolha de toda a equipe THEMA.

 Fátima Tarallo

coordenadora ciclo II

Estou, aqui, frente a um grande desafio: o de escrever minhas memórias de educadora. Só de pensar na palavra MEMÓRIA, tenho em minha cabeça uma vastidão de pensamentos, lembranças e sentimentos. Afinal, para mim, a memória nada mais é do que um valioso livro de nossas vidas. Um livro que preenchemos diariamente, repleto de anotações, esboços, vivências, percepções, um lugar onde ficam registrados os fatos marcantes da nossa existência. Ter que resgatar minhas memórias, é ter que folhear este livro e visualizar as marcas de minha vida. Marcas de uma paulistana, que saiu aos 18 anos da casa dos pais para percorrer o sonho de se tornar pedagoga.

 São muitas as memórias, tantas que ficam difíceis de elencar. Memórias do meu primeiro contato como professora, ao sentar com meus irmãos nas brincadeiras de escolinha e compartilhar minhas descobertas. Memórias de crescimento e amadurecimento, quando passei em uma universidade pública e passei a viver sozinha, a estudar, sem ter alguém me cobrando por isso! Memórias das dificuldades ao assumir pela primeira vez como professora, uma sala de aula de crianças de 8 anos, em que os pais subestimavam a minha capacidade por me acharem muito nova e, também, memórias de missão cumprida, por ter conquistado esses mesmos pais. Mas, para mim, as memórias mais especiais, são dos rostos vibrantes e alegres das crianças, ao compartilharem seus conhecimentos e, acima de tudo, saber que fiz parte desse processo.

 Ao estar com as crianças tive um enorme aprendizado que não constava em nenhum dos meus livros teóricos: o conhecimento de que nós educadores mais aprendemos com elas do que realmente ensinamos. Com as crianças, aprendemos que o tempo, o conhecimento, as descobertas, experiências e brincadeiras são amigos inseparáveis e, por isso dão um sabor diferente a vida. Não é a toa que a infância é uma etapa inesquecível!

 Talvez por saber que as crianças pequenas são mais sensíveis e intensas às delicadezas da vida, que acabei me tornando uma amante e defensora da Educação Infantil. Antes, como professora, um dos meus principais intuitos era o de preservar e propiciar uma infância de qualidade. Atualmente, como coordenadora pedagógica, esse objetivo ainda continua, só que agora com uma intensidade muito maior.

 Confesso que não foi fácil e, ainda não é, essa transição de professora para coordenadora. Somente neste instante, veio-me a mente muitas memórias de desafios que enfrentei e enfrento nessa nova função. Mas, o que me motiva a continuar e ultrapassar cada um desses desafios que, muitas vezes, fazem-me pensar no retorno à sala de aula, é saber que na coordenação, conseguirei propagar, lutar e garantir os direitos das crianças de serem realmente crianças e terem uma educação de excelência. Sei que não é uma tarefa nada fácil, porém já superei muitas marcas de dificuldades na minha trajetória pessoal e profissional, por isso, tenho certeza de que essa será mais uma a fazer parte das minhas memórias de superação e, porque não dizer também, de otimismo!

 Camila Izoli

coordenadora NEE

Iniciei a faculdade em 2005, a área da educação sempre me chamou muito a atenção, com isso, sem dúvidas, logo ingressei no curso de Pedagogia. Durante os primeiros meses de estudo, ainda não havia escolhido a área a seguir, mas aos poucos o interesse pela Educação Inclusiva começou a se tornar mais nítido. No entanto, com o passar do tempo essa vontade ficou “incubada”, pois muitas novidades e opções começaram a surgir: educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos. No último ano de faculdade conheci a escola Thema por meio de uma mãe e em fevereiro de 2007 iniciei na escola como professora auxiliar. Em 2008 tive minha primeira turma, como professora no Grupo 1, com crianças de 2 e 3 anos. Em 2009 novamente assumi o Grupo 1, confesso que foi uma experiência incrível, pois tive o prazer de participar de momentos muito marcantes dessas crianças, como a retirada de fralda, o aumento do controle corporal, assim como a ampliação do repertório e troca de algumas palavras pelas primeiras frases. Com essa turma tive grandes experiências e a vontade de conhecer e o interesse pela inclusão ressurgiram. No ano seguinte, passei a ser professora do Grupo 3, no qual estou hoje com minha terceira turma (2010, 2011 e 2012).

 Em 2011 comecei, em parceria com a direção da escola, um trabalho mais direcionado com uma criança do Grupo 3, pois sentíamos a necessidade de estimular de uma forma mais individualizada, assim como ter também informações mais específicas sobre o conhecimento dessa criança. A experiência rendeu informações valiosas, e com isso meu interesse chegou ao auge. Ao final de 2011 a direção propôs o surgimento de um projeto que teria como objetivo conhecer de maneira aprofundada e específica cada criança e seus conhecimentos. Em 2012 iniciei uma pós graduação em Educação Inclusiva, hoje no período da manhã me encontro focada nesse projeto e no período da tarde com uma turma de Grupo 3.

 Com esse projeto, procuro conhecer as crianças e ao mesmo tempo ajudar e trocar ideias, sugestões e informações com as professoras. Estamos com muita vontade de fazer o melhor, porém por ser recente, o projeto ainda vem passando, e certamente ainda passará por diversas mudanças. Acreditamos que as crianças precisam conviver umas com as outras e vivenciarem todas as experiências que seus grupos passam. Com isso nosso projeto foi estruturado para atender as crianças em períodos opostos, nosso maior objetivo é ampliar suas experiências e de maneira alguma restringi-las.

 O conceito de diversidade remete-nos ao fato de que todos os alunos têm necessidades educativas individuais próprias e específicas para ter acesso a experiências de aprendizagem necessárias à sua socialização, cuja satisfação requer uma atenção psicológica individualizada. Holt, 2006

 Cibele Santos

coordenadora de aulas extras

Comecei meus estudos em Dança aos três anos de idade na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo, onde nasci. Desde então, venho dançando sonhos, prazeres, memórias, dores, descobertas, superações. A Dança tem me acompanhado em todas as etapas da minha vida, sendo muitas vezes motivo de grande prazer e, em outros, de profunda inquietação uma vez que percebo que ela reflete diretamente a autoimagem e a relação do indivíduo com suas emoções, valores, cultura, enfim, sua relação com o outro e consigo mesmo.

 Dos três aos dezoito anos de idade participei de diversos grupos de Dança em Piracicaba e fiz cursos em outras tantas cidades buscando com isso diferentes técnicas e estéticas corporais. A sensação de estar em palco, diante da plateia e num “aqui e agora” definir um ano todo de trabalho, de ser de fato, mesmo que por um breve momento, uma pessoa sensivelmente potente, capaz de emocionar, tocar e me relacionar mesmo que subjetivamente com tantas pessoas que eu não conhecia até então, era de fato, fascinante para mim.

 Tive muitos professores amorosos, grandes mestres da arte e da vida, como também, me deparei com personalidades enigmáticas como alguns professores que vestiam seus papéis de carrasco em sala de aula, que humilhavam seus alunos, que exigiam privações, que promoviam angústia e baixa estima, gerando constantes crises nos jovens bailarinos, tudo em nome, segundo eles, do primor técnico. Essas experiências me fizeram rever o papel do educador na formação de um indivíduo e me fazem uma profissional que busca sempre trabalhar com respeito, com criatividade, liberdade e sensibilidade.

 No ano de 2005 inicio meus estudos acadêmicos, cursando Dança (Bacharelado e Licenciatura) na UNICAMP. A escolha por esse curso foi justamente por essa ânsia de compreender melhor a dança e tudo que ela significava para mim. Começa então, junto da graduação, minha grande paixão pela pesquisa, pela educação por meio da arte, pela observação do corpo como potencia de vida e de criação e a busca por uma dança mais humanista, sensível e que é capaz de possibilitar ao bailarino um autoconhecimento peculiar.

 Logo depois que me formei (2009), fui convidada pela Myrian para organizar/criar a festa de encerramento daquele ano. No ano seguinte (2010), a professora de dança do Thema engravidou e fui convidada a assumir as aulas de balé. Nessa mesma época, eu já era professora de Balé Clássico e Dança Contemporânea em outras três escolas de Dança em Campinas. Agora, nesse ano de 2012, além de dar aulas de balé, de organizar e dirigir as festividades do Thema (Festa Junina e Festa de Encerramento) fui convidada pela Paula para assumir a coordenação das aulas extras e confesso estar muito feliz com essa nova experiência. É durante as minhas aulas, no contato com a criança e com essa dança criativa (metodologia que venho desenvolvendo) que tenho descoberto o grande prazer de ensinar, de proporcionar às crianças uma atitude mais criativa diante da vida, de enfatizar as boas relações, os bons encontros, as boas experiências. É na coordenação que tenho podido entrar em contato com profissionais maravilhosos, organizando estratégias para poder aproveitar o máximo de cada um deles, formando, enfim, uma equipe sólida que busca dentro de suas especificidades, valorizar a educação integral da criança.

 Com o Mestrado em Artes da Cena – UNICAMP (2011 – 13) experimento em meu corpo questões que são importantes para o estudo em dança: observação da trajetória artística (dar valor ao “tempo de travessia” do indivíduo), questões relacionadas à imagem corporal, processos criativos, simbologia e memória do corpo.

 Minha busca nesse momento como bailarina, pesquisadora e educadora é promover uma nova forma de ensinar, experimentar e vivenciar a arte, podendo ser para meus alunos, para o público que prestigia minha dança, para os professores que tenho o privilégio de orientar, para os futuros leitores de meus artigos e teses e porque não, para mim mesma dentro do meu processo criativo, alguém que se interessa pelo que mobiliza o ser humano e que entende o autoconhecimento como o grande caminho para o desenvolvimento integral do homem. Deixo assim, de ser vítima do acaso, de um sistema rígido, para ser então, protagonista da minha própria história.

 Natália Alleoni

FUNCIONÁRIOSMEMÓRIAS DOS FUNCIONÁRIOS

Causos da vovó, história para boi dormir, senta que lá vem história… Esses são alguns ditados que podemos usar para lembrar histórias que aconteceram. Assim, aqui no Thema, quem está chegando agora ou quem já trabalha há algum tempo, lembra de algo para contar. Muitos acontecimentos estão gravados na memória e o melhor, nos divertimos muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.

A união faz a força. Depois de um dia de trabalho, no horário de maior movimento de saída das crianças, uma grande chuva começou, na verdade uma tempestade. Ficamos no escuro, em busca de lanternas e velas e organizamos rodas de histórias e músicas até a chuva diminuir. Professora Cristiane

Envolvida com as atividades das crianças do meu grupo, fiquei em sala organizando materiais, não percebendo que todas as crianças já haviam ido para casa e as demais salas estavam fechadas, só escutei o barulho do portão, que estava para ser trancado. Por pouco, quase fico na escola para a rotina do dia seguinte. Professora Ana Paula

Lembro de ajudar uma criança a alimentar-se no horário do almoço. Eu conversava e pouco a pouco oferecia a refeição para que ele não ficasse com ânsia, pois estava começando a ingerir alimentos sólidos. Depois de semanas, oferecer a refeição era um momento muito prazeroso, pois a criança sempre dava belos sorrisos. Auxiliar Viviane

Uma coisa importante que aconteceu comigo foi quando uma criança que dizia poucas palavras começou a me chamar de tia Fe. Recreacionista Fernanda

Um momento muito marcante no G4 foi a composição da música do projeto polos com as crianças e a professora Ana Paula. Foi de repente, voltando para a salinha depois de uma proposta de música. Com meu violão, o azulão, começamos a conversar e ter ideias e a música “nasceu”. O refrão da música é: vem comigo, vamos explorar, regiões polares vamos pesquisar. As crianças gostaram bastante. ADI Mayara

A tarefa de educar, o prazer de ensinar e a maravilha de auxiliar são preciosos valores. Observar um pequenino chorando é muito pesaroso, mas contribuir para que aquele choro se transforme em sorriso é um bálsamo para o coração. Essa preciosa tarefa de educar tem um valor que supera qualquer dificuldade e sacrifício em lidar com os pequenos. Professora Tais

Para mim, tudo o que acontece no Thema é emocionante, pois é a minha primeira experiência com crianças. E o que marca, sem dúvida, é ouvir uma criança que ainda não fala muitas palavras dizer nosso nome pela primeira vez. Também fui bem acolhida pela equipe de trabalho. Sem dúvida, escolhi a profissão certa. ADI Jéssica

Férias de julho. Passear com as famílias, amigos, idas e vindas. Reencontrar pessoas que há muito tempo não encontrava. Hora de fazer uma visita às crianças do curso de férias. Quando cheguei à escola e as crianças me avistaram, no corredor, começaram a gritar: “Tia, tia, você não sumiu. Você está aqui de volta”. Foi um momento emocionante, com abraço bastante forte. Professora Ariane Milagres

Algo marcante que presencio no berçário é o momento do encontro. Aquele pequeno instante em que as crianças se reconhecem, se olham. Mais do que isso, entrelaçam olhares, trocam carinho e afeto. É aquele momento em que a sua principal relação deixa de ser o brinquedo e passa a ser o amigo, é simplesmente mágico. No passar dos anos como professora, tenho visto essa relação se formando: o encontro, o começo de uma amizade. Lembro-me de tantas crianças, de tantos outros encontros e olhares que falam mais do que mil palavras. É gratificante presenciar o início do reconhecimento do outro, como o primeiro amigo na primeira infância. Professora Márcia

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