Boletim Jan/Fev 2013 – As adaptações de um novo ano

ANO NOVO, VIDA NOVA01

“MAMÃE, ESCOLA NÃO TEM QUE QUERER NÉ? TENHO QUE IR.”

“TIA AGORA SOU MUITO GRANDE VOU PARA O G2.”

“A GENTE CRESCEU E POR ISSO MUDOU DE SALA.”

“AS MESINHAS DO G2 SÃO MAIORES QUE AS DO G1. É QUE A GENTE CRESCEU.”

“EU GOSTEI DE MUDAR DE GRUPO. ESTÁ MUITO LEGAL SER DO G4!.”

“NO G4 TEM COISAS QUE SÃO DIFERENTES. ENTÃO, A GENTE VAI TER QUE DESCOBRIR MAIS COISAS.”

“ESSA SALA TEM MESA, CADEIRA. EU GOSTO DO VERMELHO E AZUL E VOU SENTAR PARA DESENHAR O PAPAI E A MAMÃE.”

“ESTOU CRESCENDO MUITO, IGUAL AO MEU PAI E QUANDO A GENTE CRESCE, MUDA DE SALA.”

AS CRIANÇAS QUE CHEGARAM AO G1, DEPOIS DE ORGANIZAREM UM JOGO, FORAM CHAMADAS PARA FAZER UMA RODA DE HISTÓRIA. A MÚSICA EU VOU CONTAR UMA HISTÓRIA, AGORA ATENÇÃO… COMEÇOU A SER CANTADA E AS CRIANÇAS BUSCARAM UM ESPAÇO PARA SE ACOMODAR E OUVIR-LA. A EDUCADORA SENTOU-SE NO CHÃO, ESPERANDO QUE TODOS FIZESSEM O MESMO. MAS, QUANDO TERMINOU A MÚSICA, TODOS TINHAM PROCURADO UMA CADEIRA PARA SE SENTAR. ENTÃO, UMA RODA DE HISTÓRIA COM CADEIRAS FOI ORGANIZADA. (COORDENADORA DO THEMA)

“MINHA PEQUENA PASSOU POR ESTA FASE NO ANO PASSADO…. (MUDANÇA DO BERÇÁRIO PARA O MATERNAL). CADA ANO QUE PASSA VEM NOVAS CONQUISTAS, DESAFIOS, MEDOS, E DEPOIS UM AFETO GIGANTE PELAS NOVAS “TIAS”. PARECE QUE FOI ONTEM QUE FIZEMOS A ADAPTAÇÃO NO BERÇÁRIO.” (MÃE DO THEMA)

“O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO DO J. FOI LONGO… NA VERDADE, NÃO FOI O TEMPO DELE QUE REGULOU A ADAPTAÇÃO, MAS O MEU… TIVE 5 MESES DE LICENÇA E NÃO FOI FÁCIL DEIXÁ-LO NA ESCOLA TÃO PEQUENO… ME SENTIA CULPADA, DIVIDIDA, INSEGURA. FIQUEI 2 SEMANAS E MEIA SENTADA NAS CADEIRAS LARANJAS DO CORREDOR DA ESCOLA E FOI ÓTIMO. VIVENCIEI A ROTINA DA ESCOLA… O CARINHO COM QUE AS PROFESSORAS E FUNCIONÁRIOS TRATAVAM AS CRIANÇAS. OUVI PALAVRAS DE APOIO EM TODOS OS MOMENTOS QUE CHOREI E, NO ÚLTIMO DIA DE MINHA LICENÇA, O J. DORMIU COMO UM ANJO NA SALA DO BERÇÁRIO. FOI ALGO COMO “MAMÃE, FIQUE TRANQUILA, ESTOU BEM! PODE VOLTAR AO TRABALHO, POIS SEI QUE ISSO TAMBÉM É IMPORTANTE PARA A SUA FELICIDADE”. HOJE, QUASE 2 ANOS DEPOIS, SEI QUE FOI A MELHOR DECISÃO QUE PODÍAMOS TER TOMADO.” (MÃE DO THEMA)

O PROCESSO DE (RE)ADAPTAÇÃO

Adaptações são parte integrante do desenvolvimento, já que as pessoas estão continuamente adaptando-se a novos momentos, ambientes e situações ao longo do ciclo vital. A cada coisa nova que aprendemos, mudamos e, às vezes, precisamos mudar o que está ao nosso redor. Vamos nos desenvolvendo entre estabilidades e mudanças, um processo contínuo e recíproco de transformações.

Ao longo do ano, as crianças passam por experiências novas: uma nova habilidade que descobriu em si, uma história que ouviu, um fato que viu, uma doença, um colega novo que entrou na turma, um irmão caçula que vem chegando na família… Algumas delas podem mobilizar emoções relacionadas à insegurança.

Quando a criança ingressa na escola ou um novo ano escolar se inicia, então, são muitas novidades. Algumas podem ser motivadoras, outras podem causar estranhamento, principalmente quando estava gostoso curtir, por exemplo, uma viagem em companhia dos queridos familiares… Ou seja, sentimentos e comportamentos inesperados em relação à escola podem aparecer. Então, é preciso procurar pacientemente entender o que se passa, conversar e transmitir segurança. E fazer isto em parceria com a escola, trocando ideias e informações, será excelente para todos superarem, juntos, o momento. Quanto mais a criança estiver habituada e afetivamente ligada ao ambiente escolar, mais naturalmente ela poderá encarar mudanças, novidades e medos.

Cada criança e cada família tem seu próprio ritmo e seu próprio modo para se adaptar. Falamos em processo, pois trata-se de um movimento gradativo que vai se construindo nas interações entre as pessoas e os ambientes.

A adaptação depende, dentre outros fatores, das características da criança,  de sua idade e da fase de desenvolvimento em que se encontra; e das características dos familiares e das pessoas envolvidas no ambiente escolar. O processo de adaptação costuma ser um momento de emoções diversas, ansiedades e inseguranças para todos, afinal primeiro precisamos conhecer para depois confiar. E isto demanda tempo.

A Educação Infantil é, para muitas crianças, sua primeira experiência social e exige, portanto, um grande empenho emocional de todos.

PAPEL DA FAMÍLIA

Os pais (ou até os avós), em sua maioria, sentem-se ansiosos e divididos entre a perspectiva de ver seus filhos conquistando novos espaços e ao mesmo tempo em ter que deixá-los, às vezes, chorando com pessoas “desconhecidas”.

02Em linhas gerais, como os familiares podem ajudar seus filhos neste momento?

            – preparando-se: sempre conversando e conhecendo bem como a escola procede diante do processo de adaptação e auxiliando as pessoas envolvidas no conhecimento de seus filhos. Sempre que forem necessárias conversas mais demoradas com a professora, pedimos que a façam na hora da saída ou agendem através da coordenação;

            – preparando a criança antes de ir para a escola: é interessante falar sobre a escola permitindo que a criança crie um significado positivo dela (ex.: contar suas histórias de criança quando estavam na escola, apontar amigos e primos da criança que vão/voltam à escola), combinar sua rotina do dia com ela (ex.: “a mamãe vai te levar pra escola depois do almoço, você vai fazer diversas atividades e brincadeiras com seus amigos e depois, antes de anoitecer, a mamãe vai te buscar pra voltarmos pra casa”; situar o tempo conforme a percepção da criança). Porém não convém antecipar nem repetir muito o assunto para não gerar ansiedade desnecessária, visto que algumas crianças, conforme a idade, ainda não possuem a noção do tempo bem organizada.

            – transmitindo calma e segurança, procurando controlar suas emoções e atitudes;

            – demonstrando compreensão, amor e paciência; procurando entender as emoções, o ritmo e o momento da criança (permitir que ela traga um objeto de apego de casa se for importante para ela);

– dando espaço para que a criança reconheça e crie o seu próprio espaço na escola”: para que a criança possa conhecer e gostar da escola e das pessoas aqui presentes, se faz necessária uma certa distância dos pais, é preciso haver um espaço para que ela possa ser conquistada. A despedida, por exemplo, deve ser enfrentada sem mentiras, evitando saídas às escondidas, sempre com demonstrações de carinho, firmeza e confiança – convém explicar o momento sem prolongá-lo além do necessário, mesmo que seja preciso ouvir um pouco de choro e sair de coração “apertado”.

A IMPORTÂNCIA DA ROTINA

 Já imaginou se todos os dias você tivesse que pensar em qual caminho fazer para ir trabalhar, em que momento pisar na embreagem do carro, engatar as marchas, frear etc. como se estivesse ainda aprendendo a dirigir? Se todos os dias fossem como os primeiros dias de anos escolares, em que você tivesse que decidir em qual carteira se sentar e de qual colega novo se aproximar? Poderia ser bastante tenso ou ao menos desgastante. Nossa memória nos ajuda a nos “acostumar”, automatiza uma série de atividades dando espaço para que nossa mente possa apreender novas experiências.

 As crianças, além de terem os sentidos apurados para adquirir novos conhecimentos (elas são capazes de aprender muito mais coisas em um dia do que os adultos), tem um mundo inteiro para conhecer. Por isso, uma certa rotina de atividades e horários é de suma importância para ajudá-las a “se acostumarem”. A rotina oferece segurança, tranquilidade e autonomia a elas, especialmente quando se trata do ambiente escolar, um lugar rico e variado de pessoas, coisas e acontecimentos. Quando os pais e professores organizam os horários das crianças favorecem um bom relacionamento delas com o mundo.

PAPEL DA ESCOLA

Para propiciar cuidado e educação infantil de qualidade, impõe-se o pensar na formação e na capacitação contínuas dos profissionais a fim de que estejam preparados para receber as diferentes situações que se apresentam e refletir sobre elas. Lidar com a adaptação exige aceitar as múltiplas perspectivas com que uma determinada situação é entendida/vivenciada pelos diversos participantes.

 Isso pressupõe que a escola seja aberta, com clara disposição para uma relação franca e acolhedora com a família. Nesse panorama, as relações escola-família colocam-se como o aspecto central de atenção, transformando-as em grandes parceiras nos cuidados e na educação da criança. Apenas de forma conjunta é possível conduzir adequadamente o processo de adaptação à escola, por isso o acolhimento é fundamental.

A criança, para elaborar bem este processo de mudanças, precisa ter oportunidade para sentir falta da pessoa querida que está ausente, sentir-se triste, sozinha e talvez até zangada e deve poder expressar seus sentimentos de maneira apropriada. Nesse sentido, é fundamental que a professora esteja segura em saber intervir no momento certo criando uma relação afetiva de confiança, tanto com a criança quanto com os pais. Como organizadora desse processo, a professora também necessita ter consciência dos sentimentos envolvidos, revendo suas próprias emoções, e fazendo reflexões diárias.

Os primeiros dias são realmente mais difíceis e cansativos, demandando maior dedicação por parte da professora. A coordenação, nesse momento, poderá ajudá-la a construir sua segurança e autoridade para atuar de forma mais tranquila, trocando, ao final de cada dia, ideias sobre as conquistas, os equívocos, os excessos, as principais dificuldades, repensando-os para o dia seguinte.

A DECISÃO DE LEVAR A CRIANÇA PARA A ESCOLA

 A entrada da criança na escola é um momento marcante. Em primeiro lugar, é importante que a decisão de colocar a criança na escola seja tomada de maneira consciente levando em conta tanto as necessidades dos pais quanto as da criança.

 Não há uma regra que defina exatamente o que é melhor, qual o momento certo: seria ultrapassado e injusto dizer apenas que os pequeninos tem vantagens com os cuidados “exclusivamente” maternos até os 2 anos de idade sem considerar o cansaço da mãe, sua carreira profissional e a colaboração que possa ter ou não nas atividades do dia a dia com seu filho em casa. Para muitas famílias, apenas uma dessas questões já pode ser decisiva para a busca de suporte profissional.

 Por outro lado, a primeira infância é a fase de maior e mais rápido crescimento e desenvolvimento humano: constitui a base da formação humana (personalidade, valores etc.). Aos poucos (e bem cedo) as necessidades das crianças vão se ampliando: além dos cuidados com alimentação, sono e higiene, elas precisam de oportunidades para conhecer, explorar e aprender o complexo mundo: das coisas, das sensações, das relações humanas.

 Considerando estas necessidades de pais e filhos e conhecendo e concordando com os recursos físicos, materiais e profissionais da escola escolhida, a filosofia e os valores da mesma, não há motivos para que os pais sintam-se culpados pela decisão. Vale lembrar, que a escola jamais desligará ou substituirá o afeto que vincula a criança à sua família: a família é e sempre será a principal base e referência afetiva de todos.

1º ANO:
PROJETO “ESCOLA NOVA LÁ VOU EU”

Toda a nossa vida é feita de etapas e a transição destas é sempre um momento de apreensão. As crianças do 1º ano do Thema (por enquanto) vivem uma transição importante: a saída da escola de educação infantil e o ingresso na escola de ensino fundamental. Será necessário elaborar e expressar os sentimentos que envolvem “perdas”, como a dos amigos, e o enfrentamento de um “novo desconhecido”, com ganhos e crescimento.

Devemos ficar atentos a tais questões e atitudes que as crianças venham a manifestar. Embora esse olhar aconteça durante todo o ano, o Thema desenvolve um projeto junto às crianças com atividades semanais a partir do segundo semestre. O assunto não é apontado antes pela escola para não adiantar ansiedades, desfocando a crianças do que está sendo desenvolvido no momento presente.

O projeto “Escola nova lá vou eu” tem como objetivos favorecer a postura de estudante; aproximar as crianças das mudanças que existirão em relação à nova escola (recreio, tarefas, matérias, horários, uniforme, lanche, professoras etc.); e conhecer a rotina de outras escolas. Para tanto, no final do ano, por exemplo, fazemos um encontro dos alunos do 1º ano com ex-alunos do Thema que contam tudo sobre a experiência que tiveram ao longo dos dois últimos anos. Da mesma forma que a professora fica atenta aos sentimentos das crianças em relação às mudanças desde o início do ano, a escola também se mantém aberta para as trocas sobre esta fase com as famílias!

SEJAM BEM VINDOS!   2013, LÁ VAMOS NÓS!