Que QUALIDADE é essa que tanto falamos e ouvimos falar?

Muito escutamos falar sobre a qualidade do Thema, que vai de “excelente qualidade” até de “perda de qualidade”.

Assim, perguntamo-nos: o que afinal isso quer dizer?
Buscando por esta resposta, retomamos que a origem da palavra vem do latim qualitatem/ qualitas, ou qualis, que quer dizer “de que natureza”. Sendo assim, qualidade se remete a características e propriedades de uma realidade, no nosso caso escolar.

Mas, o que é ter qualidade?
Será que o que é qualidade numa escola para uma pessoa é a mesma coisa para outra? O que os educadores pensam sobre qualidade? O que os pais pensam sobre qualidade? Será que temos que nos preocupar apenas com essas opiniões? E as crianças? O que é qualidade para elas?

Qualidade é percebida de uma forma individualizada, influenciada diretamente por expectativas e socialmente construída: qualidade de ensino, qualidade de formação, qualidade de espaço, qualidade de profissionais, qualidade de cuidados, qualidade de alimentação, qualidade de higiene, qualidade afetiva, qualidade de atendimento, qualidade de valores, qualidade de equipe. Qual é a mais importante? Quais são os adjetivos dessas qualidades? O que é qualidade hoje será amanhã? Quais qualidades não vislumbramos? Podemos comparar qualidades de ontem e de hoje? Quais indicadores de qualidade temos? Será que somos capazes de ver, não olhar, escutar, não ouvir, comunicar, não falar, com as qualidades do Thema?

Segundo Rubem Alves, o corpo humano é dotado de mecanismos de “controle de qualidade”. Sentimos o cheiro dos alimentos para saber que eles estão bons assim como os animais que não habitam ambientes poluídos. Mas, esses mecanismos valem para a escola? Acreditamos que sim! Uma mãe uma vez me disse que depois de visitar várias escolas, quando chegou ao portão do Thema, sentiu: “Essa é a escola que quero para meu o filho”, veja bem, que QUERO, não a tenho nesse momento, então podemos afirmar que sim, o corpo humano é dotado de mecanismos que controlam a qualidade, no caso de uma escola temos muitos corpos controlando a qualidade, inclusive a própria equipe docente que QUER fazer a diferença para cada uma das crianças que aqui estão. Assim, sentimos os gostos, os sabores, os cheiros, as texturas, os barulhos, do que é qualidade na nossa escola.

A qualidade numa escola está no processo, nas transformações, e não no produto final. O Thema não está pronto, nem nunca estará. Estamos em constante formação, renovação, aprimoramento; somos dinâmicas, contínuas e requisitamos revisões. Ano que vem (2014) o Thema completa 30 anos. Nesse percurso vivemos muitas mudanças: gerações, valores, prioridades, qualidades, vivemos metamorfoses. Entretanto, nunca deixamos de colocar em primeiro lugar a qualidade sob o ponto de vista da criança, uma qualidade de natureza auto-reflexiva, participativa, transacional, plural. Desse modo, saber o que é qualidade e qual a qualidade que, para nós, é prioritária faz com que possamos mantê-la ao longo desse percurso, oferecendo oportunidades para compartilhar, discutir e entender valores, ideias, conhecimentos e experiências, fazer uma gestão de qualidade, numa busca constante de excelência.

Paula Franco
Diretora Pedagógica

Uma ideia sobre “Que QUALIDADE é essa que tanto falamos e ouvimos falar?

  1. Penso que a qualidade está relacionada com a perspectiva que temos sobre o mundo das coisas, das relações, das experiências históricas, sociais e culturais. O que é qualidade para mim nem sempre tem o mesmo significado para o outro. Para mim, qualidade de educação se inicia pela qualidade de infância que desejamos para as crianças. Qual seria a qualidade de infância?
    Andar descalço, tomar banho de chuva, fazer experiências com formigas, lambuzar-se de sorvete, brincar com lama e areia, ser num instante uma fada e no no outro uma bruxa, apostar corrida, ver os desenhos formados pelas nuvens, pular amarelinha, corda, chorar e ficar brava quando perde uma competição… Enfim, aproveitar as delicadezas da vida. Mas, seria a mesma qualidade para outras pessoas? Seria uma categoria da qualidade de educação ou da própria vida de criança?
    Enquanto penso e especifico a minha qualidade, tem adultos que a definem de outra forma, de que qualidade de infância é se manter limpo, silenciar quando os outros estão cansados, manter-se sentado ou com movimentos lentos não cair e se machucar, aprender um mundo de conhecimentos (sejam com os professores, com a televisão) mesmo que aconteçam por meio da memorização, evitar brincadeiras com água para não se adoentar. Então, qualidade estaria envolvida com padrões de prioridade e da ideia que se tem de criança (um mini-sujeito ou um sujeito em desenvolvimento?).
    E assim vai… Mesmo tendo “padrões” de qualidades personificadas seria interessante definir uma para a escola, para o THEMA. E, junto com esta reflexão, também, encaixariam outros questionamentos sobre a importância da escola: Qual o papel da escola? Quais indivíduos queremos formar? O que pretendemos como escola? Buscamos qualidade, porém, em quais pontos? Quais seriam prioridades? Quais já possuímos? Quais seriam responsabilidade da escola? Quais seriam intrínsecos à família? Então, viria novamente a pergunta inicial: Que QUALIDADE é essa que tanto falamos e ouvimos falar?
    Camila Izoli
    Coordenadora pedagógica – Ciclo 2

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