Acolhimento

ACOLHIMENTO

“O acolhimento é um método de trabalho complexo, um modo de ser do adulto, uma ideia chave no processo educativo.” Staccioli, 2013, p.25[1]

Um novo semestre se inicia trazendo um horizonte de possibilidades para as crianças – significâncias vêm chegando! Aproveitando o ensejo, desejamos compartilhar com as famílias discussões de longa data sobre o tempo e a escuta dedicados à infância debruçando-nos, agora, no termo “acolhimento”.

Referimo-nos a acolhimento como uma postura de vida, uma competência relacional educativa – não apenas uma atitude voltada aos primeiros dias da vida escolar de uma criança ou aos primeiros momentos de uma rotina diária escolar, mas uma atitude de disponibilidade para encontrar-se com o outro – trata-se do desejo de sustentar uma sensibilidade aberta a uma relação educativa.

Convidamos os adultos enquanto educadores, sejam professores ou familiares, a criarem um espaço interno rico de desejo para conhecer a criança. Acolher não se trata de aceitar passivamente casualidades, implica um fazer motivado para a criança – uma escuta ativa e atenta de busca por reconhecer e valorizar suas ideias, implica inclusive controlar e verificar hipóteses que construímos a respeito delas.

Pensar em acolhimento enquanto uma abordagem pedagógica de vida exige previsão, organização, ação e verificação. Para acolher, é necessário preparar o ambiente/espaço para esperar e receber, pensar nos materiais e objetos que atendem responsivamente os interesses e necessidades do outro, planejar e projetar oportunidades de diálogo – gerenciar a escuta das crianças considerando que possuem uma cultura tão própria como se pertencessem a uma tribo ou etnia diferente.

“Escutar é uma atitude que requer coragem de se entregar à convicção de que o nosso ser é só uma pequena parte de um conhecimento mais amplo; escutar é uma metáfora para estar aberto aos outros, ter sensibilidade para ouvir e ser ouvido em todos os sentidos. (…) Escutar é dar a si próprio e aos outros um tempo para ouvir.” Rinaldi, 2012, p.208-209[2]

Para o adulto ser acolhedor é imprescindível que ele potencialize sua capacidade de saber ver, ver aquilo que há de valor na criança e nas suas vivências, reconhecer o que pode ser encorajado, ver em si mesmo também o que há de mais autêntico e divergente a ser oferecido na construção de uma nova relação que inspire segurança e empatia.

Vamos exercitar o prazer de acolher as crianças, de estar bem diante do encontro com as diferenças que elas nos proporcionam, pensando-as, aprendendo-as e escutando-as como elementos de aproximação?!

[1] Staccioli, Gianfranco. Diário do acolhimento na escola da infância. Campinas: Autores Associados, 2013.

[2] Rinaldi, Carla. Criatividade como qualidade do pensamento, p. 203-217. In: Diálogos com Reggio Emilia: escutar, investigar e aprender. São Paulo: Paz e Terra, 2012.

Uma ideia sobre “Acolhimento

  1. Excelente reflexão, ontribui muito c profissionais q definem c linha de trabalho o protagonismo e a autonomia na educação e na permanente obstrução cidadã. Obrigada

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